Ao todo. segundo as investigações, fundo Havengate, receberia cerca de R$ 122 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro

PF diz que Eduardo Bolsonaro orientou como dinheiro de 'Dark Horse' seria gerido nos EUA
PF diz que Eduardo Bolsonaro orientou como dinheiro de 'Dark Horse' seria gerido nos EUA · Imagem: Source: valor.globo.com

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Ex-deputado Eduardo Bolsonaro — Foto: Reprodução/YouTube - Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) aponta que Eduardo Bolsonaro teria sido o responsável por orientar como os recursos para o filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, seriam geridos nos Estados Unidos. Segundo a corporação, o fundo Havengate, sediado no Texas (EUA), e administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo, ficou "inerte" por quatro anos até receber recursos para supostamente financiar o longa-metragem.

Ao todo, segundo a PF, o fundo receberia de Daniel Vorcaro US$ 24 milhões - cerca de R$ 122 milhões -, mas os repasses cessaram com a prisão do ex-banqueiro.

As informações são parte das investigações do caso Master e foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite dessa quinta-feira (10). Mendonça retirou o sigilo a pedido do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin.

A PF cita, no relatório, uma reportagem em que o site Intercept afirma ter ido até o local onde deveria ter sido feito um empreendimento imobiliário do fundo nos EUA e não encontrou nada. De acordo com a representação da PF, o Havengate, criado originalmente para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões em 2020 não tem nenhuma propriedade em seu nome até hoje.

"A Calixsan Capital Management LLC — gestora do fundo, controlada pelos mesmos PAULO CALIXTO e ALTIERIS SANTANA — cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas (maio de 2021) e na Flórida (setembro de 2021), justamente quando o empreendimento deveria, segundo seu próprio cronograma, estar em plenas obras", diz a representação em que a PF pediu a abertura de inquérito sobre o financiamento de Dark Horse.

E acrescenta: "O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme".

A Entre Investimentos, citada pela PF, pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele fechou um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e esse acordo foi homologado pelo ministro André Mendonça nessa semana.

Segundo a PF, "a reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos".

A corporação também cita trocas de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda para justificar a abertura da investigação. O conteúdo, já revelado pelo Intercept Brasil, mostra ainda que Eduardo teria sido o responsável por orientar como o recurso seria gerido nos EUA e indicado a utilização do Haven Gate.

"No mês de março de 2025, THIAGO MIRANDA informou a DANIEL VORCARO que 'Flavio B e Eduardo' pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme. Na sequência, como já mencionado, foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos".

Mensagens de Eduardo Bolsonaro

Ao analisar a representação da PF, a Procuradoria-geral da República (PGR) endossou o pedido de investigação e afirmou que Eduardo Bolsonaro teria colocado a estrutura do fundo "para operar o esquema".

"Foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, em que colocou ALTIERIS CHAVES SANTANA, diretor da empresa HAVENGATE DEVELOPMENT FUND GP LLC7, à disposição para operar o esquema" , diz a PGR.

- A mensagem de Eduardo dizia o seguinte:

"O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Meu receio é que você seja solicito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje a noite, por favor? O Altieris Santana está a disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja."

Altieris Santana é um dos sócios do Havengate. O conteúdo da representação da PF e da PGR faz parte do material tornado público pelo STF na noite de quinta-feira, mas o inquérito sobre o "Dark Horse" e suas diligências seguem em sigilo. O ministro André Mendonça atendeu a um pedido do presidente da corte, Edson Fachin, para levantar o sigilo das investigações, mas manteve em segredo os casos com diligências em andamento que poderiam ser prejudicadas se fosse dada publicidade a elas.

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