Igor Gadelha

André Mendonça, que afastou Andrei Rodrigues da PF, era ministro da Justiça quando Alexandre de Moraes barrou Alexandre Ramagem no órgão

Gustavo Zucchi, Igor Gadelha

08/09/2026 09:47, atualizado 08/09/2026 09:48

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Hoje ministro do STF e responsável por determinar o afastamento de Andrei Rodrigues da diretoria-geral da Polícia Federal (PF), André Mendonça estava, há seis anos, do outro lado do balcão, vendo a Corte impedir um aliado seu de assumir o comando da corporação.

Em 28 de abril de 2020, Mendonça foi nomeado ministro da Justiça por Jair Bolsonaro . Na mesma data, o então presidente da República escolheu e nomeou o delegado Alexandre Ramagem para assumir o cargo de diretor-geral da PF.
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As nomeações ocorreram em meio a uma das grandes crises do governo Bolsonaro, quando o então ministro da Justiça Sergio Moro pediu demissão, alegando que o presidente tentava interferir em investigações para proteger sua família.
Mendonça conseguiu virar ministro da Justiça. Já Ramagem foi impedido de assumir o cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que alegou “desvio de finalidade”, usando como evidência as declarações do próprio Moro sobre a suposta interferência política.
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“Em entrevista coletiva na última sexta-feira, dia 24/4/2020, o ainda ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Fernando Moro, afirmou expressa e textualmente que o presidente da República informou-lhe da futura nomeação do delegado federal Alexandre Ramagem para a diretoria da Polícia Federal, para que pudesse ter ‘interferência política’ na Instituição, no sentido de ‘ter uma pessoa do contato pessoal dele’, que pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência”, escreveu Moraes na ocasião.
Outro lado do balcão
Nesta terça-feira (8/9), foi Mendonça, agora relator do Caso Master e da Farra do INSS no Supremo, quem mandou afastar o atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de suas funções após a produção de relatórios de inteligência contra si.
Na decisão, também foi afastado o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Mendonça ainda proibiu a produção ou o compartilhamento de relatórios sobre a atuação de magistrados.
Segundo o magistrado, a medida é necessária para que os integrantes da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os servidores da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.
“A par de existirem outras questões em torno das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, escreveu Mendonça.


