O local onde socorristas do World Trade Center vivem pode influenciar a saúde física e mental décadas após os ataques de 11 de setembro. Um estudo aponta que fatores como calor, poluição do ar e acesso a áreas verdes estão associados ao envelhecimento e ao risco de doenças.A pesquisa foi publicada nesta sexta-feira (11/9) na revista Nature Communications e analisou dados de 18.734 socorristas que atuaram após os ataques e vivem na cidade de Nova York. Os resultados mostram que o ambiente ao redor dessas pessoas continua a influenciar sua saúde muitos anos depois da exposição inicial.Condições do bairro afetam saúdeOs pesquisadores avaliaram a exposição anual a altas temperaturas, poluição do ar e presença de áreas verdes nos bairros onde os participantes vivem. Em seguida, cruzaram essas informações com indicadores de fragilidade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).Os socorristas que vivem em regiões mais quentes e com maior poluição apresentaram maior risco dessas condições. Já aqueles que moram em áreas com mais vegetação tiveram menor probabilidade de desenvolver esses problemas ao longo do tempo. Leia também Mundo25 anos do 11 de Setembro: onde caíram os outros 2 aviões sequestrados? Mundo25 anos do 11 de Setembro: como está o local onde ficavam as Torres Gêmeas MundoEUA: atentado terrorista de 11 de Setembro completa 24 anos; relembre MundoJuiz do 11 de Setembro: o magistrado de 92 anos que julgará Maduro Segundo os autores, o efeito foi mais forte entre pessoas que tiveram maior exposição a substâncias tóxicas e a situações de estresse extremo durante o resgate.Exposição não termina com o desastreOs socorristas do 11 de setembro enfrentaram uma combinação de fatores raramente observada, com contato com materiais tóxicos e pressão psicológica intensa. Estudos anteriores já mostraram que essa exposição está ligada a problemas de saúde duradouros.O novo trabalho indica que o ambiente em que essas pessoas vivem hoje pode somar novos fatores de risco. Para os pesquisadores, isso ajuda a explicar por que alguns quadros se agravam com o passar dos anos.“Os resultados sugerem que as consequências do 11 de setembro não se limitam ao momento do desastre. As condições do dia a dia também influenciam o corpo e a mente ao longo do tempo”, afirma a autora principal Helena Furman Krasnov, em comunicado.Lições para outras populaçõesOs autores avaliam que as conclusões podem se aplicar a outros grupos expostos a desastres, como incêndios florestais, acidentes industriais e desabamentos. Nesses casos, fatores ambientais posteriores também podem influenciar a recuperação e o envelhecimento.A equipe pretende investigar se condições como maior presença de áreas verdes e melhor acesso a recursos urbanos podem ajudar a reduzir esses efeitos ao longo dos anos.








