Leia este início ouvindo “Yakuza 0 Theme” para uma experiência completa.

Te convencendo a jogar a Saga Yakuza
Te convencendo a jogar a Saga Yakuza · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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Te convencendo a jogar a Saga Yakuza
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Todo mundo que olha pra Yakuza já pensa que é um jogo de luta padrão, com histórias de máfia clichê. Se isso já te atrai, parabéns, você foi procurar ouro e achou diamante sem nem saber. Mas se foi exatamente esse pensamento que te afastou do jogo até hoje, tenho uma boa notícia: ainda dá tempo de dar uma chance.

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Claro que não dá pra fugir da parte da luta, mas pensa: você prefere um jogo normal de luta que usa armas ou punhos, ou um jogo de luta em que você pode pegar um carrinho de compras, ou talvez um poste de telefone, e bater no inimigo? E reza a lenda que o protagonista da franquia nunca matou ninguém, ainda por cima.

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“Ah, mas continua sendo um jogo de luta.” Não mesmo. Você já viu algum jogo que é só de luta te deixar cantar karaokê com seus amigos? Já viu poder administrar seu próprio cabaré e ainda customizar as funcionárias, escolhendo roupas e maquiagem? Ou, mais simples, poder pegar pelúcia em uma máquina de garra?

Imagem: Xbox Wire/ Reprodução
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Yakuza é diferenciado. Confie em mim.

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Antes de Like a Dragon, tem uma origem que você não deveria pular

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Imagem: Xbox Wire/ Reprodução

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Você provavelmente conhece Like a Dragon, a saga do Ichiban. Mas sabia que essa história não começou lá? A saga anterior se chama Yakuza e conhecê-la faz toda diferença pra jogatina de Like a Dragon. Com nove jogos principais numerados, bate aquele medo: “por onde eu começo?” Relaxa: a porta de entrada oficial é Yakuza 0, que se passa em 1988 apresentando Kiryu e Majima, um dos melhores jogos da saga. E não é só opinião de fã: Yakuza 0 tem 86 de nota no OpenCritic, com 95% dos críticos recomendando.

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Não se assuste com a quantidade de jogos, recomendo fortemente jogar os antigos. Se você já ama Like a Dragon, vai amar ainda mais conhecer as origens dessa franquia.

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A saga que te faz rir e chorar

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Imagem: Xbox Wire/ Reprodução

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Yakuza tem um dos contrastes mais únicos dos games: um minuto você está numa substory completamente absurda, investigando um esquema de venda de roupas íntimas usadas, participando de um duelo de “quem aguenta mais pimenta” ou assumindo o posto de produtor de um filme e brigando com a gangue de um produtor rival. No minuto seguinte, você está numa cutscene pesada, de traição, luto ou uma decisão que muda a vida de um personagem pra sempre. E o mais impressionante é que os dois lados funcionam igualmente bem.

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Se tem uma substory que resume bem o quão longe esse jogo estava do que eu imaginava, é “How to Train Your Dominatrix”. Você ajuda uma dominatrix, que diz que nunca soube dizer “não” e topou o trampo justamente pra aprender a ser mais dura. Pra treinar, ela faz um ensaio de role-play num parque público, com Kiryu no papel de submisso escolhendo as falas mais humilhantes possíveis. Foi a missão secundária que mais me fez rir e perceber que Yakuza saía completamente da curva que eu esperava.

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Um jogo de luta que simula muito mais que só isso

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Imagem: Jasons Video Game Source/ Reprodução

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O jogo é um mundo vivo, onde você pode administrar uma imobiliária inteira, gerenciando funcionários e disputando território com rivais. Ou virar dono de um cabaré, escalando hostesses, treinando suas habilidades e competindo contra outros clubes da cidade.

Imagem: Jasons Video Game Source/ Reprodução
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Tem karaokê completo com coreografia, disputa de dança, boliche, mahjong, golfe, fliperama com jogos funcionais, até mesmo um minigame de investimento na bolsa de valores (obviamente não citei tudo que tem, descubram jogando).

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E eles são muito bem desenvolvidos: alguns têm dezenas de horas de conteúdo próprio, no nível de um jogo à parte dentro do jogo principal. Cada minigame tem sistema, progressão e recompensa próprios, o tipo de profundidade que normalmente você só vê em jogos dedicados a um único gênero. Dá pra passar horas só cuidando do seu cabaré e ainda assim sentir que está avançando em algo. É uma cidade inteira pra explorar entre uma missão e outra.

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E essa cidade nem é fictícia: Kamurocho é baseada em Kabukicho, o bairro de entretenimento mais famoso de Tóquio e aparece em praticamente todos os jogos numerados da saga. Você vai reconhecendo cada esquina, cada loja e vê o bairro mudar de cara conforme os anos passam dentro da história, quase como se fosse mais um personagem da franquia.

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Um sistema de combate sério por baixo do caos

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Imagem: PlayStation Blast/ Reprodução

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Imagem: PlayStation Blast/ Reprodução
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O combate de Yakuza tem uma profundidade de RPG que muita gente não espera: árvore de habilidades pra desbloquear, evolução de atributos e diferentes estilos de luta que você troca no meio da briga, alguns jogos, como Yakuza 0 e Kiwami, dão até quatro estilos diferentes pro mesmo personagem, cada um com seu próprio jeito de jogar. Tem ainda o sistema de Heat, que acumula conforme você briga e libera ataques especiais devastadores.

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E é bem nesse combate sério que a criatividade mais absurda da saga aparece: você pode pegar praticamente qualquer coisa da rua e usar como arma, carrinho de compras, poste de telefone, cone de trânsito, guarda-chuva, bicicleta, placa de trânsito, extintor de incêndio, até máquina de venda automática, cada um com golpes especiais únicos, alguns tão específicos que chegam a ser hilários no meio de uma briga que, segundos antes, tava séria de verdade.

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A história que trata seus personagens com respeito

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Por trás de toda a bagunça e do humor pastelão, Yakuza tem uma das narrativas mais bem construídas do mundo dos games. Kiryu carrega em si os temas centrais da saga: lealdade, honra e o peso de proteger quem você ama, mesmo quando isso custa caro. Não é um herói perfeito e o jogo não tem medo de mostrar as consequências das escolhas dele e das pessoas que ele perde no caminho.

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A saga inteira gira em torno de família, não necessariamente a de sangue, mas a que você escolhe e constrói ao longo da vida. Kiryu adota, protege e se sacrifica por pessoas que cruzam o caminho dele e é justamente esse fio que dá peso emocional pra uma franquia que, minutos antes, te fazia rir de uma substory ridícula.

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Os vilões também fogem do clichê raso de “bandido malvado sem motivo”. Muitos têm seus próprios traumas e visões de mundo que fazem sentido dentro da lógica deles, mesmo quando você discorda completamente. Isso transforma os confrontos em algo mais complexo do que só herói contra vilão.

Imagem: GameBlast/ Reprodução
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Yakuza te faz criar apego de verdade pelos personagens, a ponto de sentir cada perda como se fosse pessoal. Poucas séries conseguem equilibrar tanto humor absurdo com esse drama e ainda assim fazer os dois lados funcionarem sem parecer forçado.

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O capricho técnico também merece elogio

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Imagem: GameBlast/ Reprodução

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Desde Yakuza 6, a saga roda no Dragon Engine, motor próprio da RGG Studio, que elevou muito a qualidade visual da franquia: sinais de rua ganharam animação, decorações luminosas ficaram mais realistas e a equipe passou a usar técnicas melhores de anti-aliasing pra deixar tudo mais suave.

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A trilha sonora também é um capítulo à parte. Em Yakuza 0, o diretor musical Hidenori Shoji trabalhou com mais de uma dúzia de compositores e usou gêneros diferentes pra marcar a personalidade de cada protagonista: os temas do Kiryu são mais claros e otimistas, indo até tech trance no estilo final dele (por favor, cantem “Bakamitai” no karaokê com o Kiryu, essa música é perfeita), enquanto os do Majima exploram sons mais sombrios, com drum’n’bass e dubstep. Deu tão certo que virou marca registrada da saga.

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Não é só um fã apaixonado falando

Imagem: RPGFAN/ Reprodução
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A franquia inteira, desde 2005, já vendeu mais de 27,7 milhões de cópias no mundo todo entre físico e digital. E o reconhecimento não é recente: já o primeiro jogo foi aclamado no Japão por misturar gameplay inovador com uma narrativa de nível cinematográfico, um combo que a saga manteve e refinou ao longo de quase 20 anos.

Imagem da matéria: Te convencendo a jogar a Saga Yakuza
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A saga acumulou prêmios em diversas edições do Japan Game Awards e Yakuza 5 e 6 chegaram a receber nota quase perfeita, 39/40, da revista Famitsu, as maiores notas dessa saga. As notas no Metacritic variam entre 75 e 89 conforme o jogo, mesmo enfrentando um histórico de atraso entre os lançamentos japoneses e ocidentais, que por muito tempo deixou a série “escondida” do público fora do Japão.

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Foi justamente esse cenário que começou a mudar com força a partir de Yakuza 0: o jogo é apontado como o grande responsável por tirar a franquia da obscuridade no Ocidente, o que levou a própria Sega a repensar sua estratégia de localização e lançamentos simultâneos pros jogos seguintes.

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É impossível Yakuza não agradar

Imagem: RPGFAN/ Reprodução

Não existem jogos como Yakuza, que conseguem unir o melhor de todos os mundos. Não importa o gênero de jogo que você prefere nem a sua idade, essa narrativa e essa jogabilidade conseguem te atrair.

Você se emociona demais com a história contada, com as provações que os protagonistas enfrentam pra chegar nos seus objetivos, sofre junto com eles e comemora cada conquista. O próprio Kiryu, mesmo sendo estoico, carrega uma sensibilidade que normalmente não vemos em protagonistas de jogos de máfia, e você se acaba de rir com o jeito sério que ele tem de lidar com situações cômicas.

E menção honrosa ao Majima, o melhor personagem dessa franquia, que arranca tanto choro quanto risada ao longo de toda a sua trajetória. Nosso louco preferido.

Então, se eu ainda não consegui te convencer a jogar, talvez você devesse testar e ver por si mesmo.

Aviso importante

Eduarda Saturnino é colunista do nosso site e as opiniões do artigo não representam, necessariamente, a opinião do Olhar Digital.

Eduarda Saturnino

É técnica em audiovisual e community manager com 7 anos de experiência no universo gamer.

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Tags: PlayStation Steam Xbox yakuza yakuza: like a dragon