Sacastão (também conhecido como Saguestão, Saguistão, Seianixe, Seguistão, Sistão e Sijistão) foi uma província do Império Sassânida na Antiguidade Tardia, situada dentro do custe de Ninruz. A província fazia fronteira com Carmânia a oeste, Ispaã a noroeste, Cuxanxar a nordeste e Turquestão a sudeste. O governador da província detinha o título de marzobã. O governador também usava o título de sacanxá ("rei dos sacas") até sua abolição por volta de 459/60.

Etimologia A palavra "Sacastão" significa "terra dos sacas", um povo cita que, entre os séculos II a.C. e I d.C., migrou para o planalto Iraniano e a Índia, onde fundou o Reino Indo-Cita. No Bundahishn, escritura zoroastrista redigida em pálavi, a província aparece como "Seiansi". Após a conquista muçulmana da Pérsia, a província passou a ser conhecida como "Sijistão" e posteriormente como Sistão, nome ainda preservado na atual província iraniana do Sistão e Baluchistão.

História

A província foi criada por volta de 240, durante o reinado de Sapor I (r. 240–270), como parte de sua política de centralização imperial. Antes disso, a região estava sob domínio do Reino Surênida, de origem parta, cujo governante, Artaxer, tornou-se vassalo sassânida durante o reinado de Artaxer I (r. 224–242). Foi também Artaxer I quem reconstruiu a antiga cidade de Zerangue, transformando-a na capital provincial. De acordo com a inscrição trilíngue de Sapor I no Cubo de Zaratustra, seu filho Narses exerceu a função de governador das províncias orientais do império, inclusive do Sacastão. Em 271, com a ascensão de seu irmão Hormisda I (r. 270–271), Narses tornar-se-ia grão-rei da Armênia e a província do Sacastão foi possivelmente transferida a Hormisda, filho de outro dos filhos de Sapor I, o rei Sapor de Mesena. Nos anos 280, Hormisda rebelar-se-ia contra seu primo Vararanes II (r. 270–293). Durante a revolta, os sacastanis, rúfios (cúsios/cuchanas) e gelas apoiaram-no. Uma vez debelada a revolta, Vararanes II nomeou seu filho, o futuro Vararanes III, como sacanxá. Durante o início do reinado de Sapor II (r. 309–379), este designou seu irmão Sapor como governador. Sob Sapor II, foi estabelecida uma casa da moeda no Sacastão (marcas monetárias: SKSTN, S, SK). No começo do reinado de Perozes I (r. 459–484), o xainxá findou o governo dinástico da província ao nomear um membro da Casa de Carano para governá-la; a medida visava evitar novos conflitos familiares e garantir maior controle direto sobre a região. A partir do primeiro reinado de Cavades I (r. 488–496), essa oficina monetária passou a localizar-se na capital provincial, Zarange (marcas: ZR, ZRN, ZRNG). Durante a conquista muçulmana da Pérsia, o último xainxá, Isdigerdes III (r. 632–651), refugiou-se em Sacastão em meados da década de 640, sendo inicialmente auxiliado por seu governador, Aparviz, que governava a região de forma praticamente independente. Contudo, Isdigerdes perdeu rapidamente esse apoio ao exigir tributos que Aparviz deixara de pagar. Em 650/1, Abedalá ibne Amir, que havia recentemente conquistado a Carmânia, enviou Rabi ibne Ziade Alariti numa expedição ao Sacastão. Após algum tempo, ele alcançou Zalique, cidade fronteiriça entre Carmânia e Sacastão, onde obrigou o degã local a reconhecer a autoridade do Califado Ortodoxo. Em seguida, fez o mesmo na fortaleza de Carcuia, onde havia um célebre templo do fogo, mencionado no Tarikh-i Sistan. Prosseguindo a campanha, Rabi conquistou outras partes da província e sitiou Zarange. Após uma dura batalha diante da cidade, Aparviz e seus homens renderam-se. Quando Aparviz encontrou-se com Rabi para negociar os termos da paz, viu-o sentado sobre os corpos de dois soldados mortos, usados como assento. Horrorizado, Aparviz preferiu aceitar a paz para poupar os habitantes de Sacastão, concordando em pagar um pesado tributo aos árabes, incluindo mil rapazes escravizados carregando mil vasos de ouro.

População e religião Durante o período Aquemênida, o Sacastão — então conhecido como Drangiana — era habitada pelos drangianos, um povo do leste iraniano amplamente persianizado. Entre os séculos II a.C. e I d.C., a região recebeu grande influxo de tribos sacas e também de partas, os quais, nas palavras de Brunner, "remodelaram o antigo padrão populacional da região". Os habitantes de Sacastão eram majoritariamente zoroastristas, embora houvesse uma minoria de cristãos nestorianos. A Casa de Surena, família nobre parta que serviu ao Império Arsácida e posteriormente ao Império Sassânida, integrava os sete clãs partos do Império Sassânida. Cada uma dessas famílias possuía terras em diferentes regiões do império, e os Surena controlavam extensas propriedades em Sacastão.

Referências

Bibliografia