Baku tem dessas coisas. Você olha para a corrida, pensa que já entendeu o roteiro e, de repente, basta uma freada um pouco mais forte, um pneu travado ou um muro aparecendo perto demais para tudo mudar. E foi exatamente assim no Grande Prêmio do Azerbaijão.George Russell largou na pole, fez uma primeira metade de corrida praticamente sob controle e parecia ter construído uma vantagem confortável. Só que, em Baku, conforto é uma palavra que eu usaria com bastante cuidado.No fim, o piloto da Mercedes precisou segurar Max Verstappen praticamente no retrovisor e cruzou a linha de chegada apenas 0,1s à frente do holandês.Foi uma vitória que parecia encaminhada no começo, mas que terminou com aquela sensação de que qualquer coisa poderia acontecer até a última curva. E talvez seja justamente essa a graça de Baku.A Mercedes largou muito bem, enquanto Oscar Piastri assumiu a segunda posição e a Red Bull começou a aparecer no retrovisor. Primeiro veio Isack Hadjar. Depois, Verstappen.A dupla da Red Bull passou a pressionar Piastri, que ainda tentava administrar os pneus. Russell, enquanto isso, fazia exatamente o que precisava: abria vantagem.Em determinado momento, chegou a estar cerca de dez segundos à frente. Só que até ele teve seu momento de alerta. Na curva 15, raspou o muro e precisou perguntar à equipe sobre os pneus.Foi um pequeno lembrete de que, em Baku, ninguém está realmente livre de uma armadilha.Se Russell foi preciso na maior parte do tempo, outros pilotos descobriram da pior maneira que Baku não perdoa.Lando Norris teve uma travada de pneus e perdeu posições. Alex Albon foi além: bateu na barreira e provocou a primeira entrada do Safety Car. Depois veio uma cena que praticamente resumiu o GP.Franco Colapinto travou os pneus na aproximação da curva 1, atingiu o companheiro de Alpine, Pierre Gasly, e a confusão ainda envolveu Norris.Três carros fora. Mais um Safety Car. E a corrida, mais uma vez, mudava de direção.É nesses momentos que eu penso que o nome Entre Curvas combina ainda mais com uma pista como Baku. Não é apenas sobre o que acontece dentro de cada curva. É sobre o que pode acontecer entre uma e outra quando uma disputa aparentemente controlada vira uma oportunidade, um erro ou um acidente.Talvez a grande história que ficou pelo caminho tenha sido a de Oscar Piastri.O australiano largou em terceiro, chegou a ocupar a segunda posição e passou boa parte da prova entre os primeiros colocados. Mas a corrida que parecia promissora terminou em 14º lugar.Depois de uma nova relargada, Piastri travou os pneus na curva 1, rodou e despencou no pelotão. Foi um daqueles momentos em que uma corrida inteira parece desaparecer em poucos segundos.E, para uma McLaren que tinha velocidade para brigar pelo pódio, o resultado deixa aquela incômoda sensação de oportunidade perdida.Depois de passar Piastri, Verstappen ganhou o direito de sonhar com algo maior.A Red Bull tinha ritmo, o holandês estava cada vez mais perto e Russell começou a sentir a pressão. Na parte final, a diferença caiu para poucos décimos.Era aquele tipo de batalha que transforma cada freada em uma pergunta: quem vai errar primeiro?Verstappen chegou a emparelhar na reta final, mas não conseguiu completar a ultrapassagem. Russell segurou. Por 0,1s.Depois da bandeirada, o próprio britânico contou que passou por um momento ainda mais tenso nas últimas voltas. Segundo ele, após uma bandeira amarela, tirou o pé e, quando voltou a acelerar, o turbo perdeu potência: “Principalmente quando vi o Max atrás, pensei: ‘Não vai ser fácil’.”Não foi mesmo.E se Verstappen ficou com o gosto de vitória que escapou por muito pouco, a Red Bull ainda teve motivo para comemorar.Isack Hadjar terminou em terceiro e garantiu, ao lado do companheiro, um pódio duplo para a equipe. E foi um resultado importante também para o francês, que passou boa parte da prova envolvido diretamente na briga pelas primeiras posições.Hadjar chegou a pedir à equipe que Verstappen continuasse forçando e mostrou que não estava disposto a simplesmente aceitar a posição.No fim, ficou atrás do companheiro, mas à frente de Leclerc.Outro piloto que merece atenção é Kimi Antonelli.O líder do campeonato viveu um fim de semana que parecia caminhar para o desastre. Bateu no muro ainda na primeira parte da classificação e precisou largar apenas em 16º.Em uma pista em que largar tão atrás normalmente significa uma corrida de recuperação difícil, o italiano aproveitou cada oportunidade. Ultrapassou, ganhou posições com os abandonos e terminou em quinto.Não foi uma corrida brilhante no sentido tradicional. Foi uma corrida de sobrevivência.E, em Baku, sobreviver também é uma forma de vencer.No fim, Russell levou a vitória. Verstappen ficou a apenas 0,1s. Hadjar completou o pódio. Piastri despencou. Norris abandonou. Antonelli saiu de 16º para quinto.É muita coisa para uma única corrida.Mas talvez seja justamente por isso que Baku seja tão interessante.A pista não permite que a corrida fique completamente previsível. Ela mistura uma reta longa, pontos de ultrapassagem, curvas estreitas e muros que parecem estar sempre esperando o menor erro.Hoje, eles esperaram bastante. E, quando começaram a aparecer, mudaram completamente o GP.No Entre Curvas, gosto dessas corridas em que não existe uma única história. Baku teve várias.A da vitória de Russell. A da pressão de Verstappen. A do pódio de Hadjar. A recuperação de Antonelli.E, principalmente, a velha lição de uma pista que parece dizer a cada volta: não se acostume com o que está vendo, porque a próxima curva pode mudar tudo.✅Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









