Comitiva brasileira foi para a 81ª Assembleia Geral da Organização da ONU, nos Estados Unidos, em meio a crise diplomática com Trump

22 set 2026 - 04h58

(atualizado às 07h19)

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- Por: Redação Terra

Lula durante discurso na ONU

Foto: Michael M. Santiago / Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa pela 11ª vez da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A 81ª edição do encontro reúne 193 Estados-membros e começará nesta terça-feira, 22. Lula será o responsável por abrir os discursos, seguindo a tradição do Brasil ser o primeiro a se pronunciar. O presidente braileiro deve defender a soberania e rejeitar a interferência externa em assuntos internos dos países durante sua fala.

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Esse é o segundo ano consecutivo que o chefe de Estado abre a Assembleia Geral em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos, país que recepciona o evento. No ano passado, o Brasil passava por duras sanções e, embora algumas delas tenham sido derrubadas, há um alerta de que o país norte-americano tente intervir nas eleições brasileiras neste ano.

Ao todo, Lula já abriu nove assembleias-gerais — as de 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Em 2005 o pronunciamento foi feito em uma reunião que antecedeu a Assembleia Geral. A abertura do evento foi feita por Celso Amorim, agora assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República. O único ano em que não participou foi em 2010, quando estava focado na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Na ocasião, Celso Amorim também fez a vez.

‘Pintou uma química’

Em 2025, Lula teve um breve encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump. Na ocasião, o chefe de Estados norte-americano mencionou um abraço e uma "boa química" com o presidente brasileiro.

“Ele me parece ser um cara muito legal. Ele gostou de mim, eu gostei dele", disse Trump. "Eu só faço negócio com gente que eu gosto. Quando eu não gosto, não gosto. Mas, por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal”.

No dia seguinte ao encontro, Lula disse ter ficado satisfeito com o encontro com Trump. "Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível, aconteceu, e fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós. Como acho que a relação humana é 80% química e 20% emoção, acho muito importante essa relação", declarou à época.

Gravata da sorte

Ainda na edição 80 da Assembleia Geral, Lula manteve a tradição e escolheu vestir a sua "gravata da sorte" durante seu discurso. O acessório de fundo azul marinho leva as cores do Brasil, com listras em verde, amarelo e branco, e foi usado pela primeira vez em 2008. Desde então, ela costuma acompanhar Lula em agendas internacionais e compromissos relevantes. A primeira vez teria sido quando Lula esteve em Pequim, durante as Olimpíadas.

Nos dois discursos que fez na Assembleia Geral da ONU anteriores a este mandato, o presidente brasileiro estava com a gravata da sorte. Em visitas a outros países, como quando foi à China se encontrar com Xi Jinping, e aos Estados Unidos, durante o governo de Joe Biden, antecessor de Donald Trump, Lula escolheu usar o mesmo acessório.

Lula discursa na ONU

Foto: Mike Segar

Soberania nacional

Assim como deve se esperar neste ano, Lula já defendeu a soberania do Brasil em outras edições da Assembleia Geral da ONU. Em 2003, ele falou sobre sua busca em ampliar e diversificar a presença internacional do Brasil, estreitando laços com países para além da América do Norte e da Europa. Em 2004, frisou a importância da independência política dos países mais pobres, falando no fim do “colonialismo”. A questão sempre segue presente, mesmo que nas entrelinhas.

Em 2025, o tema voltou à tribuna da ONU. O chefe de Estado brasileiro fez duras críticas à Casa Branca, justamente sobre as sanções aplicadas pelo governo norte-americano na época, em resposta à “caça às bruxas” que o Brasil estaria fazendo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo sem mencionar diretamente Trump, o mandatário brasileiro condenou os ataques ao multilateralismo, as políticas anti-imigratórias e a aplicação arbitrária de sanções econômicas, defendendo a democracia e a soberania nacional.
“Os ideais que inspiraram sua fundação estão ameaçados como nunca estiveram. O multilateralismo está diante de uma nova encruzilhada. A autoridade dessa Organização está em xeque. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra”, acrescentou, em referência aos atos do governo Trump.
O petista comentou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e afirmou que o ex-chefe de Estado teve amplo direito de defesa e ao contraditório e que a condenação serviu como um recado aos "candidatos a autocratas". Para ele, a ingerência de nações estrangeiras no tema é “inaceitável”. “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, declarou o presidente. “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”.
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Crise climática
Às vésperas da COP30 em Belé, Lula destacou em 2025 a meta brasileira de reduzir as emissões em até 67% e propôs a criação de um conselho climático vinculado à Assembleia Geral, como parte de uma reforma mais ampla da ONU que inclua a expansão do Conselho de Segurança.
Encerrando o discurso, o petista fez um apelo à coragem e à ação, citando as memórias de Pepe Mujica e do Papa Francisco. "O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral", disse ele, defendendo que a voz do Sul Global seja ouvida e que a ONU retome seu papel como promotora da esperança e da igualdade.
Essa não foi a primeira vez que o presidente brasileiro abordou a crise climática. Em 2023, Lula cobrou os países mais ricos dentro da agenda ambiental. "Agir contra as mudanças no clima implica pensar no amanhã e enfrentar desigualdades históricas. Países ricos cresceram baseados no modelo com alta taxa de emissão de gases danosos ao clima", pontuou, acrescentando que as responsabilidade "são comuns, mas diferenciadas".
"Os 10% mais ricos são responsáveis por quase metade de todo o carbono na atmosfera. Nós, países em desenvolvimento, não queremos repetir esse modelo. No Brasil, provamos uma vez e vamos provar de novo que o modelo socialmente justo e ambientalmente responsável é possível".
Em 2007, Lula abriu seu discurso falando de mudanças climáticas, alertando que “crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes”. Em 2009 ele voltou a defender que os países deveriam se comprometer com regras mais expressivas de redução de emissões. De lá pra cá, a crise climática se agravou e os compromissos dos “países ricos” seguem sendo deixados a desejar.
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Luta contra a fome
Em discursos passados, pode-se dizer que um dos assuntos mais destacados por Lula foi a luta do Brasil contra a fome, a pobreza e a desigualdade. Na primeira vez que falou na Assembleia Geral, em 2003, chegou a sugerir a criação de um Comitê Mundial de Combate à Fome. Em 2006, falou dos programas brasileiros Bolsa Família e o Fome Zero.
Lula discursa na ONU
Foto: Brendan McDermid
Desigualdade
Em 2023, a desigualdade foi o tema central de Lula no discurso. "A fome, tema central da minha fala 20 anos atrás, atinge 735 milhões de seres humanos, que vão dormir esta noite sem saber se terão o que comer amanhã".
"É preciso, antes de tudo, vencer a resignação que nos faz aceitar tamanha injustiça como algo natural. Para vencer desigualdades, falta vontade política", completou.
Lula também aproveitou a audiência para falar de políticas do governo, como o Bolsa Família e a lei que estabelece igualdade salarial entre mulheres e homens. Ele também mencionou a importância da defesa de LGBTs e pessoas com deficiência, além de uma tributação mais justa.
"É preciso fazer os ricos pagarem impostos proporcionalmente ao patrimônio", disse. "O Brasil está comprometido em implementar os 17 objetivos da ONU de maneira integrada, e vamos adotar um 18º objetivo voluntariamente: queremos alcançar a igualdade racial".
Fonte: Portal Terra
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