Depois de anos acostumado a smartwatches “tradicionais”, colocar o Polar Street X no pulso me causou um certo estranhamento. São cinco botões físicos, ícones que parecem de um relógio “genérico”, menus sem uma boa organização e uma lógica de navegação que demora para entrar na cabeça. Mesmo depois de vários dias de uso, ainda me peguei procurando funções que sabia que estavam em algum lugar do relógio. Algumas vezes, precisei simplesmente explorar os menus até encontrá-las. Só que basta começar uma corrida para o Street X mostrar uma face completamente diferente. As informações importantes ficam claras, os números passam bastante confiança e, ao terminar o exercício, há uma quantidade enorme de dados úteis à disposição. Foi essa contradição que mais me chamou a atenção durante os testes: como um relógio tão bom para monitorar atividades físicas pode ter uma interface tão complicada? Talvez a resposta esteja na sua proposta. Depois de usá-lo, passei a enxergar o Polar Street X muito mais como um fitness tracker extremamente avançado que também funciona como smartwatch do que como uma alternativa ao Galaxy Watch ou Apple Watch. Na hora do exercício, tudo muda Usei o Street X principalmente em caminhadas, e foi justamente nessas situações que mais gostei do relógio. Passos, cadência, frequência cardíaca e GPS passaram bastante confiança, sem números suspeitos que me fizessem desconfiar da precisão do monitoramento. O GPS, em especial, foi muito preciso. Ao conferir posteriormente os trajetos registrados, o caminho no mapa correspondia muito bem ao que eu realmente havia percorrido, sem desvios relevantes. Por ter a tecnologia integrada, ele funciona independente do celular quando você faz exercícios ao ar livre. Durante o exercício, a interface também deixa de ser um problema. As informações essenciais ficam fáceis de consultar, com navegação mais simplificada. Essa diferença é importante porque chamar simplesmente a interface do Street X de ruim pode soar injusto. Quando estou caminhando, ela funciona. É quando preciso explorar o relógio que começam os problemas. O Street X exige que você aprenda a usá-lo A organização dos menus foi o que mais me incomodou. Há ícones com aparência antiquada, telas que parecem seguir lógicas diferentes e funções que nem sempre estão onde eu esperaria encontrá-las. Mesmo após vários dias, ainda havia momentos em que precisava procurar uma configuração ou função. É o caso, por exemplo, da frequência cardíaca. Teve um momento em que quis fazer uma medição pontual, e simplesmente não achei a opção. Só depois de um tempo fui encontrar o menu que mostra apenas o monitoramento contínuo. Como disse antes, estou acostumado a relógios mais tradicionais, como Apple Watch e Galaxy Watch . Neles, tudo parece mais intuitivo, fácil de encontrar. No Polar, é preciso aprender a usar o relógio. Os cinco botões físicos são um ótimo exemplo. Eles fazem muito sentido durante exercícios, quando tocar na tela pode ser menos prático. Só que, nas primeiras atividades, até pausar, retomar ou encerrar um treino exigiu alguma descoberta. A sensação inicial foi quase de "vai apertando até descobrir". Depois que a lógica fica clara, funciona. A questão é quanto o relógio exige do usuário até chegar a esse ponto. O Polar Flow repete o mesmo paradoxo Eu esperava que o aplicativo Polar Flow fosse o lugar onde toda aquela quantidade de informações se tornaria mais simples de consultar. Em parte, ele repete o problema do relógio. Encontrar informações de sono, por exemplo, é bastante fácil. Já para chegar aos detalhes de uma caminhada, precisei explorar mais os menus. Em determinado momento, eu sabia que o GPS tinha registrado muito bem uma atividade, mas simplesmente não conseguia encontrar o mapa daquele trajeto no aplicativo. Quando finalmente achei, veio novamente a melhor parte da experiência com o Street X. Ali estavam o mapa, distância, duração, frequência cardíaca, ritmo, cadência, elevação e várias outras informações sobre o exercício. Tudo organizado de uma forma que realmente permite analisar o que aconteceu naquela sessão. O problema do Polar Flow não é falta de informação, é como chegar até ela. Talvez a comparação com Galaxy Watch e Apple Watch seja injusta O Street X recebe notificações, controla músicas, mostra previsão do tempo e cumpre algumas funções básicas de smartwatch. Mas essa claramente não é sua prioridade. Ele também deixa de fora alguns recursos de saúde que me acostumei a encontrar até mesmo nos relógio mais simples. Senti falta, particularmente, da medição de SpO2, além de recursos disponíveis em alguns concorrentes, como ECG, pressão arterial e composição corporal. Em compensação, quando o assunto é exercício, o jogo muda. O Street X oferece muito mais confiabilidade para analisar treinamento, desempenho e recuperação. Foi por isso que comecei a enxergá-lo de outra maneira: ele parece muito mais um fitness tracker extremamente sofisticado que também faz algumas coisas de smartwatch do que um smartwatch que, entre várias outras funções, monitora exercícios. E não foi só com a Polar A experiência também me lembrou alguns relógios da Garmin , que testei há alguns anos. Os problemas específicos não eram necessariamente os mesmos, e seria injusto usar um relógio que usei há tanto tempo para avaliar os Garmin atuais. Mas lembro de uma sensação parecida. O relógio e o aplicativo entregavam ferramentas esportivas muito completas, enquanto a interface parecia mais complicada. Isso deixa uma pergunta interessante: por que relógios esportivos tão competentes ainda podem ser tão pouco intuitivos? Eu compraria um Polar Street X? Para o meu perfil, o Polar Street X não seria minha primeira escolha. Eu não sou um grande exemplo de atleta, e busco um smartwatch mais para monitorar meu sono, dados de saúde e usar aplicativos no pulso. Mas recomendaria o Street X tranquilamente para outro tipo de usuário. Quem pratica atividades físicas com frequência e coloca precisão, confiabilidade e profundidade dos dados acima das funções tradicionais de smartwatch provavelmente aproveitará muito mais o que ele oferece. Vale destacar que, dentro da faixa de preço do Street X, entre R$ 2.500 e R$ 3.000, é possível optar tanto por um modelo mais focado em exercícios físicos, como ele próprio ou modelos da Garmin, quanto por smartwatches mais tradicionais, como Galaxy Watch 9 e Apple Watch Series 11.









