Andreza Matais

Imagem da matéria: ONG de Manuela D’Ávila fez podcast pago por emenda a R$ 20 mil o episódio
Imagem da matéria: ONG de Manuela D’Ávila fez podcast pago por emenda a R$ 20 mil o episódio · Imagem: Reprodução/Facebook

Instituto E Se Fosse Você, de Manuela D'Ávila, recebeu R$ 100 mil em emenda de Carol Dartora (PT-PR) para podcast com cinco episódios

ONG de Manuela D’Ávila fez podcast pago por emenda a R$ 20 mil o episódio
ONG de Manuela D’Ávila fez podcast pago por emenda a R$ 20 mil o episódio · Imagem: Source: www.metropoles.com

Andre Shalders

10/09/2026 16:57

Reprodução/Facebook

Uma ONG da ex-deputada e candidata ao Senado Manuela D’Ávila (PSOL-RS) usou R$ 100 mil de uma emenda parlamentar para produzir cinco episódios de um podcast apresentado pela própria Manuela. Ou seja, R$ 20 mil por episódio.

O podcast chama-se “ElaPod” e está disponível no YouTube e no Spotify.

O termo de fomento deixa clara a finalidade da emenda de R$ 100 mil: “apoiar a produção e difusão do podcast ‘ElaPod – Vozes das Mulheres’, composto por 5 episódios, no Estado do Paraná”.

O primeiro episódio, publicado em 5 de julho, teve como convidadas a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e a ex-deputada federal Áurea Carolina, hoje candidata ao Senado pelo PSOL de Minas Gerais.

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A estreia não foi um sucesso de público. Até hoje, registra apenas 4.385 visualizações no YouTube. Já o episódio 2, com Kátia Abreu e Joice Hasselmann, foi visto 26 mil vezes. Ao todo, o “ElaPod” já teve 16 episódios: nove na primeira temporada e sete na segunda.

A própria Carol Dartora, autora da emenda que financiou o “ElaPod”, foi convidada para um dos episódios, publicado em 18 de junho. Ela participa ao lado da vereadora de Florianópolis Carla Ayres (PT). O episódio com as duas, o terceiro da série, foi visto apenas 355 vezes no YouTube.

A emenda de Carol Dartora chegou ao Instituto E Se Fosse Você por meio de um convênio com o Ministério da Igualdade Racial (MIR). O pagamento foi feito em 16 de janeiro deste ano.

O uso de emendas pela ONG de Manuela D’Ávila foi alvo de uma representação da deputada Bia Kicis (PL-DF) ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Na representação, Kicis afirma que o podcast tem “caráter personalíssimo”, “diretamente vinculado à imagem e à atuação de sua fundadora (Manuela D’Ávila)”.

Ainda segundo o documento, o podcast inclui momentos de “endosso explícito à candidatura da apresentadora ao Senado Federal por parlamentares”.

“Em pelo menos quatro episódios (1, 4, 5 e 6), convidadas manifestam apoio expresso à eleição de Manuela D’Ávila ao Senado. O caso mais direto é o da deputada federal Fernanda Melchionna, no episódio 4, que declara lutar ‘para ter uma senadora comprometida com a luta das mulheres (…) como a minha querida amiga’ e, ao encerrar, ‘e claro, coloca a Manu no Senado’”.

Manuela D’Ávila foi procurada por meio de sua assessoria para comentar o caso no começo da tarde desta quinta-feira (10). Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto.

Bia Kicis é mencionada em decisão de Dino sobre Dark Horse

Na manhã desta quinta-feira, a própria Bia Kicis foi mencionada na decisão do ministro Flávio Dino (STF) que autorizou a operação contra as ONGs da produtora Karina da Gama, do filme Dark Horse.

Como mostrou a coluna, a decisão cita um relatório da Polícia Federal que questiona o envio de emendas de Bia Kicis para um projeto da ONG em São Paulo, o que violaria regra fixada pelo STF sobre o tema. A decisão também menciona um relatório do Coaf que identificou “movimentações atípicas” da deputada.

À coluna, Bia Kicis afirmou que as investigações sobre emendas devem ocorrer “sem seletividade”.

“Essas emendas precisam ser fiscalizadas com rigor e sem seletividade. O Instituto E Se Fosse Você?, fundado por Manuela D’Ávila, recebeu mais de R$ 4 milhões em recursos públicos vinculados a emendas nos últimos anos, e há indícios de que parte desses recursos tenha sido utilizada em ações de promoção política e eleitoral”, disse.