Nova Dança Portuguesa foi um movimento artístico herdeiro da dança pós-moderna americana dos anos 1960 e da nova dança europeia, sobretudo a francesa e a belga, característico de um grupo alargado de coreógrafos portugueses, entre os quais, Vera Mantero, João Fiadeiro, Francisco Camacho, Joana Providência, Madalena Victorino, Margarida Bettencourt, Paula Massano, Paulo Ribeiro, entre outros. O termo começa a circular com enorme recorrências nas crítica de dança aos referidos coreógrafos portugueses no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, nomeadamente por António Pinto Ribeiro, Gil Mendo, António Melo, Cristina Peres, entre outros, e culmina em 1990 com a organização do colóquio "NOVA DANÇA PORTUGUESA" pelo Forum Dança e o serviço Acarte, na Fundação Calouste Gulbenkian, no qual participam vários coreógrafos e investigadores. Na sua tese de doutoramento, o investigador André Lepecki refere-se à Nova Dança Portuguesa não como "um movimento nem um movimento, nem um estilo, antes o nome que se deu ao conjunto heterogéneo dos trabalhos de um grupo de coreógrafos que começaram a produzir as suas obras nos finais dos anos oitenta, inícios de noventa” em que o que estaria em causa seria o processo de “activação de um corpo dançante, imerso na contemporaneidade e a reflectir o nervosismo da história”. Enquanto característica desta geração, Gil Mendo menciona que “mobilidade, eliminação de barreiras, foram causas emblemáticas do movimento da "Nova Dança” e do "Novo Teatro", que tão fortemente marcaram a década de oitenta. Sublevação tácita de uma geração de autores contra fórmulas predeterminadas e imobilistas que, do seu ponto de vista, reduziam a actividade performativa a um repisar de artifícios inadequados às novas realidades sociais e culturais, este movimento não pretendeu instaurar novas fórmulas em substituição das que recusava. Pelo contrário, opôs-se ao purismo a favor da contaminação, de uma maior aproximação à vida, ao quotidiano das pessoas. Ao quotidiano passaram os autores a ir buscar a sua principal matéria de trabalho, não para operarem uma transposição pura e simples da vida para a cena mas para criarem em cena algo que poderia ser transposto para a vida. Cada novo projecto passou a desenvolver-se num processo de pesquisa envolvendo autores e intérpretes, a linguagem passou a ser definida por esse processo em vez de o predeterminar."
Referências