O Morro de Nosso Senhor do Bonfim, popularmente conhecido como Morro do Bonfim, é uma formação rochosa antiga localizada em Itaúna, Minas Gerais. O morro é um dos pontos mais altos do município, ficando próximo ao centro da cidade, voltado ao norte em relação à Praça Dr. Augusto Gonçalves. No alto dele, existe uma igreja em homenagem ao Senhor do Bonfim, patrimônio municipal tombado, uma estação meteorológica, além de várias antenas de serviços de comunicação. É Parte do Circuito Turístico Verde da Trilha dos Bandeirantes.

Características Físicas

Geografia O Morro do Bonfim fica ao norte da sede do município de Itaúna, perto do trevo entre as rodovias MG-050 e MG-431. A distância em relação à Matriz de Sant'Ana é de 1700 metros, similar à da estrada entre o pé da elevação e a capela do Senhor do Bonfim. Assim como boa parte do território de Itaúna, o Morro do Bonfim é caracterizado pela Mata Atlântica, sendo nele aplicável a Lei da Mata Atlântica, de 2012, que determina a preservação especial desse bioma. Já a formação rochosa que constitui o morro é extremamente antiga, de composição ígnea. Na realidade, todo o terreno da cidade em si de Itaúna é parte de um só corpo ígneo, denominado Tonalito Itaúna, o qual é circundado por complexos de granito e diorito, os quais abrangem parte da área do município, bem como vários municípios limítrofes, em especial os da região de Divinópolis. Portanto, tem-se que o Morro do Bonfim é descrito como um granitoide intensamente deformado, o que pode ser percebido pela forma mais arredondada de seu cume, o que indica uma intensa erosão. Em terrenos do tipo, não sendo o Bonfim uma exceção, são muito comuns deslizamentos de terra. O terreno do morro foi formado no eon Arqueano, mais precisamente durante a era do Neoarqueano, entre 2,8 e 2,5 bilhões de anos atrás.

Acesso Para acessar o morro, existe uma estrada pavimentada que parte da MG-050, passa pela Capela e segue até a Estação Meteorológica.

Patrimônio Religioso

História O Morro do Bonfim sempre teve papel na religiosidade de Sant'Ana do São João Acima e de Itaúna. Hoje com esse nome, ele era anteriormente conhecido como Morro de Santa Cruz, devido à instalação de um cruzeiro no alto dele, que perdurava desde os tempos dos bandeirantes. No entanto, em 1853, frades barbôneos franciscanos, vindos da Península Itálica, dentre outras recomendações, como a troca dos oragos das matrizes, determinaram a construção de uma capela em homenagem ao Senhor do Bonfim. O pedido, atendido, ficou de responsabilidade do tenente-coronel José Ribeiro Azambuja, que providenciou uma obra simples, mas significativa. Como o morro, e, por conseguinte, a Igreja, ficavam dentro de um território particular, não houve nem interferência nem ajuda por parte das autoridades eclesiásticas. A cruz que nomeava o morro foi preservada, mas, infelizmente, ruiu na década de 1960, sendo substituída por uma nova, feita de concreto. A festa da Santa Cruz continuou a ser celebrada no alto do morro, que agora contava com uma igreja, a qual era frequentemente revitalizada durante o século XX. Além do novo cruzeiro, o sino foi instalado durante a década de 1980. No entanto, com o advento do terceiro milênio, a capela passou a ser esquecida pelas autoridades e pela comunidade itaunense. O abandono culminou no fatídico incêndio da madrugada do dia 16 de outubro de 2014. Com características de ação criminosa, segundo os bombeiros, o fogo destruiu o teto e o assoalho da capela, além de comprometer a estrutura das paredes. O processo da reconstrução durou praticamente três anos, com a reabertura acontecendo em 27 de março de 2017. A capela integra a paróquia de Nossa Senhora de Fátima, com sede no bairro Padre Eustáquio, e conta com a celebração da Santa Missa no último domingo de cada mês.

Arquitetura Mesmo sendo edificada no período imperial, o estilo da construção é colonial, remetendo às primeiras construções barrocas levantadas pelos jesuítas no começo da ocupação do interior do Brasil. O pé-direito da capela é de aproximadamente seis metros. O telhado é dividido em três: o da nave principal, o do altar e o da sacristia, sendo que aquele e esse têm duas águas, enquanto este apenas uma. A cobertura, que contém eira e beira, é sustentada por ripas de madeira e é composta por telhas de cerâmica, ao estilo colonial. Já as paredes são feitas de adobe e revestidas somente com reboco, com madeiras ajudando a dilatar sem trincá-los. No interior, o altar mor é rente à parede (estilo retábulo), sem grandes ornamentações típicas do ciclo do ouro. O piso atual é feito de madeira, na parte do altar, e de cimento queimado no restante da edificação. Ao redor, existem 14 capelinhas, usadas para a via sacra.

Curiosidade De acordo com João Dornas Filho, durante a Guerra do Paraguai, houve uma campanha dos Voluntários da Pátria em Pitangui, cidade da qual Sant'Ana do São João Acima era distrito. Para tentar fugir do serviço militar, conta-se que um jovem, de nome Evaristo Cunha, fugiu e passou vários dias escondido na capela do Bonfim, para escapar da luta contra Solano.

Ver também Itaúna Santanense (Itaúna) Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Itaúna) Igreja Matriz de Sant'Ana (Itaúna) Augusto Gonçalves de Souza

Referências