Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

SANAA- A milícia xiita Houthi, apoiada pelo Irã, capturou nesta quinta-feira, 10, a cidade de Mokha, um dos pontos mais estratégicos do Estreito de Bab El-Mandeb, no Mar Vermelho.

A operação faz parte do aumento das ações da guerrilha contra o governo central iemenita e a Arábia Saudita.

Desde o início da guerra do Irã com EUA e Israel, os sauditas têm usado o Mar Vermelho para escoar o petróleo que não conseguem enviar pelo Estreito de Ormuz. Com a ação em Mokha, essa rota fica ameaçada. Com isso, o preço do petróleo subiu nas últimas horas.

Publicidade

Combatentes leais às autoridades Houthi reúnem-se durante um comício para recrutar mais combatentes, em Sanaa. Foto: Mohammed Huwais/AFP

PUBLICIDADE

Segundo analistas, essa ampla ofensiva terrestre que pode dar ao grupo maior controle sobre uma importante rota marítima e desestabilizar ainda mais o Oriente Médio.

Os houthis expulsaram as forças aliadas ao governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, e tomaram a cidade de Mokha, bem como seu porto.

Mokha tem sido palco de vários dias de intensos combates terrestres entre os houthis e o governo internacionalmente reconhecido.

Publicidade

Os dois lados estão em guerra desde 2014, quando os houthis tomaram a capital do Iêmen, Sanaa, após a queda de AliAbdullah Saleh durante a Primavera Árabe. Logo depois, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita iniciou uma campanha de bombardeios para tentar restaurar o governo ao poder, mergulhando a nação empobrecida em uma guerra civil. Uma frágil trégua, alcançada em 2022, desmoronou nos últimos meses.
Um vídeo que circula online e foi verificado pelo The New York Times mostra várias caminhonetes com grupos de homens armados em suas carrocerias, trafegando por uma avenida principal de Mokha, repleta de comércios. Uma pessoa atrás da câmera é ouvida dizendo: “Morte à América, morte a Israel”, parte de um slogan dos Houthis.
Para a Arábia Saudita e seus aliados iemenitas, a captura de Mokha representa um grande revés, levantando dúvidas sobre sua capacidade de conter os houthis.
Publicidade
Para os houthis, que exigem cada vez mais serem tratados como o governo legítimo do país — e receberem o poder e os recursos que isso acarretaria — a tomada de Mokha representa uma vitória significativa.
A presença de um aliado-chave do Irã perto de controlar um ponto estratégico marítimo crucial deve ampliar as preocupações do governo de Donald Trump com o conflito que Washington e Tel-Aviv iniciaram na região.
Mokha fica a menos de 80 quilômetros do estreito de Bab al-Mandab, na extremidade sul do Mar Vermelho.
Publicidade
PUBLICIDADE
Os houthis já atacaram navios no Mar Vermelho a partir de território iemenita mais ao norte, mas o controle de Mokha dá à milícia uma posição mais próxima do estreito, com implicações para o comércio global e os mercados de petróleo, dizem analistas.
“Este é potencialmente um dos pontos de virada mais significativos, particularmente nos últimos anos, do conflito no Iêmen”, disse Adam Baron, pesquisador da New America, uma organização de pesquisa em Washington, especializada em assuntos do Iêmen.
Leia também
- Estudante morre em tiroteio transmitido ao vivo em escola nas Filipinas
- A China tem ampliado ataques contra aliados americanos no Pacífico. Trump não vai fazer nada?
- Filipina grávida e filho de 4 anos são resgatados de cárcere privado em SP
Espera-se que os houthis tentem avançar mais para o sul, buscando tomar território próximo ao estreito e, potencialmente, uma ilha na hidrovia. A área é “indiscutivelmente o território mais valioso do Iêmen em termos estratégicos”, afirmou Baron. Caso os houthis consigam assumir o controle, os dois principais pontos de estrangulamento marítimo da Península Arábica — o Estreito de Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz — poderão ficar sob o controle do Irã e seus aliados, acrescentou.
Publicidade
Mokha estava sob o controle do tenente-general Tareq Saleh, um comandante aliado ao governo iemenita. Seu porta-voz não respondeu a um pedido de comentário nesta quinta-feira. Autoridades houthis também não responderam a um pedido de comentário, assim como o governo saudita.
Em altaInternacional
Oferta de Trump de dinheiro fácil em troca de vitória nas urnas é proibitiva para a economia dos EUA
Trump promete US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos obtenham maioria no Congresso
Autoridades dizem que os houthis do Iêmen tomaram o controle de um porto estratégico no Mar Vermelho
Nesta quinta-feira, o general Saleh afirmou nas redes sociais que havia ordenado às suas tropas que “reorganizassem suas fileiras e estabelecessem um centro de comando alternativo em um local seguro”, em consulta com a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.
Em julho, a milícia declarou um bloqueio aos petroleiros sauditas que transitavam pelo Mar Vermelho e lançou ataques com mísseis e drones contra navios e instalações sauditas a partir de seu território no norte do Iêmen.
O Ministério das Relações Exteriores, afiliado aos Houthis, afirmou em comunicado na quinta-feira que o grupo “não representará uma ameaça” e que está “preparado para fazer parte da estrutura de segurança regional, particularmente no que diz respeito à proteção da navegação marítima”. O comunicado não fez menção aos combates em Mokha.
O ministério apelou à comunidade internacional para que “obrigue o regime saudita a parar de atacar o Iémen”.
Nos últimos dias, autoridades houthis acusaram a Arábia Saudita de lançar mais de 100 ataques aéreos no Iêmen para apoiar seus aliados no país. O governo saudita não comentou essas alegações. / NYT E AFP
Vale ler também
Filipe Figueiredo
Crescimento da AfD ameaça o governo Merz e próximos capítulos ainda estão por vir
Rodrigo da Silva
Como a AfD atua como um braço da Rússia na Alemanha
Oliver Stuenkel
Extrema direita na Alemanha: isolar, proibir ou deixar governar?
Publicidade


