Jeffrey Mark Goldberg (Nova Iorque, 1965) é um jornalista estadunidense que é editor-chefe da revista The Atlantic. Durante os seus nove anos na The Atlantic antes de se tornar editor, Goldberg tornou-se conhecido pela sua cobertura de assuntos internacionais. Apresentou o programa da PBS Washington Week (renomeado como Washington Week with The Atlantic) a partir de agosto de 2023, enquanto continuava como editor da The Atlantic.

Biografia

Primeiros anos e formação acadêmica Jeffrey Mark Goldberg nasceu no bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, filho de Ellen e Daniel Goldberg. O seu avô era natural do shtetl de Leova [en], na Moldávia. Cresceu no subúrbio de Malverne [en], em Long Island, um bairro predominantemente católico que ele certa vez chamou de "um deserto de pogromistas irlandeses". Goldberg estudou na Universidade da Pensilvânia, onde foi editor-chefe do jornal The Daily Pennsylvanian [en]. Na Penn, trabalhou na cozinha Hillel, servindo almoço aos estudantes. Goldberg, que é judeu, abandonou a faculdade e trabalhou por um período no jornal The Washington Post. Em seguida, mudou-se para Israel e serviu nas Forças de Defesa de Israel durante a Primeira Intifada como guarda prisional na Prisão de Ktziot [en], onde eram mantidos os manifestantes palestinos presos durante a revolta. Lá, conheceu Rafiq Hijazi, líder da Organização para a Libertação da Palestina, professor universitário de matemática e muçulmano devoto de um campo de refugiados na Faixa de Gaza, a quem Goldberg chamou de "o único palestino que encontrei em Ketziot que compreendia a justificação moral do sionismo". Muitos anos após a sua primeira viagem a Israel, aos 13 anos, Goldberg tornou-se cidadão israelita. Goldberg recordou a sensação de empoderamento que sentiu em Israel. Numa entrevista concedida em 2013 à revista Washingtonian [en], ele disse que havia decidido renunciar à sua cidadania israelense, afirmando que "se Israel continuar nesse caminho, acho que se tornará um Estado mais teocrático e totalitário [...] como um judeu americano de mentalidade liberal poderia apoiar isso?".

Carreira Goldberg retornou aos Estados Unidos e iniciou a sua carreira como repórter no The Washington Post, onde cobria assuntos policiais. Enquanto esteve em Israel, trabalhou como colunista do jornal The Jerusalem Post. Ao regressar aos Estados Unidos, foi chefe do escritório de Nova Iorque do The Forward, editor colaborador da revista New York e escritor colaborador da The New York Times Magazine. Em 2000, Goldberg ingressou na tradicional revista The New Yorker. Em 2003, sua reportagem In the Party of God, publicada na revista The New Yorker, que faz um panorama sobre o Hezbollah, ganhou o Prêmio Nacional de Revista pela reportagem. No ano de 2007, o editor David G. Bradley [en] contratou Goldberg para escrever para a revista The Atlantic. Bradley tentou durante quase dois anos convencê-lo a trabalhar para a revista e finalmente conseguiu depois de alugar pôneis para os filhos de Goldberg. Durante o seu trabalho na The Atlantic, Goldberg conduziu entrevistas com importantes líderes política, entrevistando Barack Obama durante cinco oprotunidades, o líder revolucionário cubano Fidel Castro, a ex-Secretária de Estado Hillary Clinton, o premiê britânico David Cameron, o senador John Kerry, o primeiro-ministro isralense Benjamin Netanyahu, o presidente de Israel Isaac Herzog, o senador Marco Rubio, o governador de Nova Jérsia Chris Christie, o secretário de defesa dos Estados Unidos Ashton Carter, o secretário de Estado Ben Rhodes [en], o político israelense Yair Lapid, o historiador e diplomata israelense Michael Oren, o rei da Jordânia Abdullah II, o ativista Ta-Nehisi Coates [en], o jornalista David Gregory, e o senador Tom Cotton. No ano de 2011, Goldberg entrou na Bloomberg View como colunista. No ano de 2014, deixou a Bloomberg. Goldberg retornou para a The Atlantic e tornou-se editor-chefe em 2016. Escrevia principalmente sobre relações internacionais, com foco no Oriente Médio e na África. Em setembro de 2020, Goldberg publicou a reportagem "Trump: Americans Who Died in War Are 'Losers' and 'Suckers'" na revista The Atlantic. De acordo com o artigo de Goldberg, ao cancelar uma visita em 2018 ao Cemitério e Memorial Americano de Aisne-Marne [en], na França, que contém os restos mortais de 2.289 militares estadunidense mortos em combate na Primeira Guerra Mundial, o presidente Donald Trump teria dito em particular: "Por que eu deveria ir a esse cemitério? Está cheio de perdedores". Trump também teria se referido aos mais de 1.800 fuzileiros navais estadunidenses que perderam a vida na Batalha do Bosque de Belleau como 'otários' por terem sido mortos. A CNN informou que o artigo de Goldberg "tornou-se imediatamente uma notícia bombástica, com os democratas — incluindo o candidato presidencial democrata Joe Biden — apressando-se a condenar Trump pelo seu suposto comportamento e a Casa Branca a organizar uma resposta agressiva contra o artigo, incluindo o próprio presidente". Trump twittou: "A Atlantic... está a morrer, como a maioria das revistas, então inventam uma história falsa para ganhar alguma relevância. A história já foi refutada...". Referindo-se à "revelação bombástica" de Goldberg, a revista Intelligencer afirmou que "o alcance e a intensidade da reação foram nucleares". Acrescentou ainda que "embora seja impossível provar diretamente qualquer uma dessas alegações, há uma quantidade impressionante de evidências corroborantes. Quase todas elas corroboram a reportagem de Goldberg", que a Associated Press, o The New York Times, a Fox News e o The Washington Post "rapidamente confirmaram". Trump negou imediatamente ter feito os comentários, tweetando: "Isso é mais uma notícia falsa inventada por fracassados repugnantes e invejosos, numa tentativa vergonhosa de influenciar as eleições de 2020!" Diversos funcionários de Trump presentes naquele dia refutaram a reportagem de Goldberg, incluindo o embaixador dos Estados Unidos na França, Jamie McCourt [en], afirmando: "Na minha presença, o presidente dos Estados Unidos NUNCA denegriu nenhum membro das Forças Armadas dos Estados Unidos ou qualquer pessoa a serviço do nosso país. E ele certamente não fez isso naquele dia também". Também negaram a reportagem o conselheiro de segurança nacional que se tornou crítico de Trump, John Bolton, e o vice-chefe de gabinete Zach Fuentes, que era próximo do ex-chefe de gabinete John Kelly. Em declarações ao site Breitbart News, Fuentes disse: "Honestamente, você acha que o general Kelly teria ficado parado e deixado ALGUÉM chamar os fuzileiros navais mortos de perdedores?". Em outubro de 2023, John Kelly disse à CNN que a reportagem de Goldberg estava correta. Em agosto de 2023, Goldberg tornou-se moderador do programa Washington Week, da PBS, que acrescentou 'com a The Atlantic' ao seu título, quando foi iniciada uma parceria editorial entre o programa e a revista.

Vazamento de conversas em grupo do governo dos EUA

No mês de março de 2025, Goldberg publicou um artigo na revista The Atlantic afirmando que membros do gabinete do presidente Donald Trump o haviam incluído inadvertidamente numa conversa no aplicativo de troca de mensagens Signal que revelava planos militares secretos para os ataques dos Estados Unidos no Iémen. O conselheiro de segurança nacional Mike Waltz [en] adicionou Goldberg, que relatou que outras contas no chat pareciam pertencer ao vice-presidente J. D. Vance, ao secretário de Estado Marco Rubio, ao secretário do Tesouro Scott Bessent, ao secretário de Defesa Pete Hegseth, à diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard, ao diretor da Agência Central de Inteligência John Ratcliffe, o candidato a diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo Joe Kent, a chefe de gabinete da Casa Branca Susie Wiles, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca para Políticas Stephen Miller e o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff. Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional confirmou o relatório de Goldberg.

Visões No seu artigo de 2008 narevista Slate intitulado "How Did I Get Iraq Wrong?", Goldberg explicou por que razão inicialmente apoiou a Guerra do Iraque e escreveu que "não percebeu o quão incompetente a administração Bush poderia ser". O jornalista Glenn Greenwald chamou Goldberg de "um dos principais defensores da mídia do ataque ao Iraque", dizendo que Goldberg "compilou um histórico de divulgação humilhante de falsidades na preparação para a guerra que rivalizava com o de Judy Miller [en], tanto em termos de imprudência quanto de impacto destrutivo". Michael Massing [en], editor da revista Columbia Journalism Review, chamou Goldberg de "o jornalista/blogueiro mais influente em assuntos relacionados a Israel", e David Rothkopf [en], ex-editor e presidente da revista Foreign Policy, chamou-o de "um dos jornalistas de política externa mais perspicazes e respeitados da atualidade". Foi descrito por críticos como liberal, sionista e um 'crítico frequente de Israel'. O The New York Times relatou que ele 'moldou' o apoio da The Atlantic a Hillary Clinton na eleição presidencial nos Estados Unidos de 2016, apenas o terceiro apoio na história de 160 anos da revista.

Vida pessoal Goldberg vive em Washington, D.C., com a sua esposa, Pamela (nascida Ress) Reeves. Eles têm três filhos.

Bibliografia

Livros Prisoners: A Muslim and a Jew Across the Middle East Divide. Knopf. 2006. ISBN 9780307265975. On Heroism: McCain, Milley, Mattis, and the Cowardice of Donald Trump. Zando. 2024. ISBN 9781638932048.

Notas e referências

Notas

Referências