Gripe: por que é essencial tomar a vacina

Médico fala dos riscos da doença e incentiva a adesão à campanha de vacinação. Crédito: Renato Kfour | Estadão

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A sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em bebês menores de 2 anos, mudou. Antes, o pico da doença ficava concentrado durante o outono, entre o fim de março e o início de julho. Mas, no pós-pandemia, um segundo pico também passou a acontecer na primavera, entre outubro e novembro.

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O achado é de um novo estudo publicado no periódico brasileiro Jornal de Pediatria, realizado a partir do prontuário médico de 2.363 crianças, de 1 a 24 meses de idade, internadas por bronquiolite no Sabará Hospital Infantil, em São Paulo. Quatro anos foram analisados na pesquisa: 2018, 2019, 2022 e 2023.

Os resultados servem de alerta para o sistema de saúde, que precisa estar preparado para o aumento de atendimento em outros períodos do ano.
“Historicamente, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) se preparava para muitos atendimentos de bronquiolite em determinados meses do ano. Nesse período, abríamos mais leitos e aumentávamos o número de plantonistas para que a gente pudesse dar atenção às crianças que precisavam desses espaços”, destaca Regina Grigolli Cesar, coordenadora médica da UTI do Sabará Hospital Infantil e uma das autoras da pesquisa.
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Mas, com a mudança, o aumento das internações se torna mais imprevisível, o que dificulta a organização prévia por parte da unidade, segundo a médica.
Nova sazonalidade é um sinal de atenção para unidades de saúde Foto: graphixchon/Adobe Stock Images
Qual motivo da mudança?
Gustavo Wandalsen, chefe do Departamento de Pesquisa em Ciências da Saúde do Instituto Pensi e autor principal do estudo, explica que a mudança da sazonalidade é um reflexo das medidas de contenção provocadas pela covid-19.
O isolamento social e o fechamento de creches, por exemplo, interromperam a circulação habitual dos vírus e alteraram a exposição imunológica das crianças. Com o retorno das atividades, houve um desequilíbrio na transmissão viral e no surgimento de surtos em outros períodos.
A situação não é exclusiva do Brasil. Segundo o estudo, eventos similares foram percebidos na Argentina, Japão, Canadá e outros países.
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A tendência é que a maior incidência volte ao que era no período pré-pandemia, mas alguns fatores podem influenciar a situação. “Com as mudanças climáticas, a gente tem outros padrões de temperatura, chuva e umidade, o que também reflete na circulação dos vírus”, cita Wandalsen.
Além disso, a própria vacinação tem potencial para alterar o padrão de circulação do VSR, em especial a imunização de gestantes.
Com essa vacina, de acordo com Wandalsen, os bebês já nascem protegidos do vírus pelos anticorpos maternos, o que dificulta a circulação do VSR e reduz as formas graves da doença nos primeiros meses de vida.
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Mais internações, menos casos graves
Outro achado do estudo foi um aumento na internação de crianças de até 6 meses em UTIs. A proporção de bebês nessa faixa etária passou de 51,7%, em 2018 e 2019, para 61,9%, em 2022 e 2023.
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O aumento não é negativo. “A internação em UTI não ocorre necessariamente por conta da gravidade, mas pelo risco. Então, no caso das crianças pequenas, elas vão para a UTI para serem melhor tratadas e observadas”, explica Wandalsen.
Ele ressalta que o tempo de internação permaneceu o mesmo em relação ao período pré-pandemia. Além disso, as complicações tiveram uma queda. A proporção foi de 39,6%, antes da pandemia, para 31,8%, depois do período.
Ou seja, o aumento das internações não indica uma maior gravidade clínica dos quadros de bronquiolite, mas uma maior cautela nas condutas médicas, conforme o estudo.
Cabe destacar que a amostra do estudo vem de um único hospital privado em São Paulo, sem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que limita a generalização para todo o sistema de saúde brasileiro.
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O que é a bronquiolite?
Causada principalmente pelo VSR, a bronquiolite tem sintomas parecidos com os de um resfriado. A criança pode sentir febre, dor de garganta, dor de cabeça e nariz escorrendo.
Em situações mais graves, os bebês podem apresentar dificuldade para se alimentar, cianose (a pele, os lábios ou as pontas dos dedos arroxeados ou azulados), apneia (pausas respiratórias), vômitos, irritabilidade ou sonolência.
Vale ressaltar que crianças prematuras ou que tenham alguma doença no coração ou pulmão têm maior risco de desenvolverem quadros mais complicados da doença.
Não existe um tratamento medicamentoso. O manejo é baseado no tratamento dos sintomas. Em casos mais graves, é necessária hospitalização para uso de oxigênio e outras medidas de suporte.
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A principal forma de prevenção é a vacinação. O imunizante para gestantes, que protege o bebê nos primeiros meses de vida, é oferecido de forma gratuita pelo SUS.
Atualmente, não há uma vacina contra o VSR indicada diretamente para bebês, mas eles podem receber anticorpos prontos, chamados de “anticorpos monoclonais”, que ajudam na prevenção de formas graves da infecção.

