Cultura / Música

O GLOBO visitou o contêiner onde são feitas as traduções do Palco Mundo

0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x

00:00

00:00

O intérprete de Libras Victor Pascoalini no show de Nelly no Rock in Rio — Foto: Talita Duvanel/Agência O Globo

O rapper Nelly soltava hits do calibre de "Hot in here" e "Ride wit me" no Palco Mundo do Rock in Rio no domingo (6) e, num contêiner perto dali, Adriana Lopes, Luana Almeida e Victor Pascoalini se revezavam na frente da tela verde de um chroma key. A cada, no máximo, dez minutos, um deles assumia o posto na frente da câmera e fazia a tradução simultânea das músicas para Libras, a língua brasileira de sinais.
- Telão se torna a grande estrela do Rock in Rio: ‘Quero que o palco seja uma atração’
- Mick Jagger, aos 83 anos: 'Eu treino seis dias por semana, corro 12 quilômetros diariamente e como muito'
Na imensidão do novo telão de LED, de 2,4 mil metros quadrados, a imagem deles ganhou ainda mais destaque. Luana, que interpretou, naquele dia, "Maladragem dá um tempo", do Barão Vermelho, até virou hit nas redes sociais com os gestos para os versos "vou apertar, mas não vou acender agora".
— O surdo tem o direito de sentir e saber o que a música quer dizer, por isso fiz a interpretação mais literal possível. Mas os ouvintes também entenderam os sinais, e isso foi muito legal — disse Luana, explicando que não existe palavra proibida em Libras. — O surdo tem que compreender por que está todo mundo rindo ou se emocionando, independentemente da mensagem ou mesmo de um palavrão.
Como trabalham os intérpretes de Libras do Rock in Rio
Luana, Adriana e Victor fazem parte da equipe da All Dub, empresa responsável pela acessibilidade do Rock in Rio e coordenada por Heloisa Góes. Naquele domingo da visita do GLOBO, o trio dedicava-se exclusivamente aos shows do principal espaço do festival. Ao todo, são 35 tradutores na Cidade do Rock, espalhados por áreas de convivência e pelos palcos Mundo, Sunset e Supernova.
— Em termos de sinalização, não existe muita diferença entre interpretar para o telão ou em cima do palco — disse Victor Pascoalini, há dez anos neste trabalho. — Aqui dentro, existe uma troca entre os profissionais que fazem as traduções e as adaptações serem muito melhores. Mas, lá fora, a energia do público e do cantor são gigantescas.
Da esquerda para direita: Adriana Lopes, Luana Almeida, a coordenadora Heloísa Góes e Lucas Gasparotto. Agachado: Victor Pascoalini — Foto: Talita Duvanel/Agência O Globo
Num festival repleto de atrações internacionais, quem aparece no telão recebe a ajuda de um profissional chamado "feeder", intérprete que fica fora de cena, traduzindo as letras do inglês para Libras em tempo real. Este trabalho era feito por Lucas Gasparotto naquele domingo.
— Com o retorno de áudio e os meus gestos, os intérpretes do telão conseguem ter um entedimento claro da música para fazer a sinalização para o público — disse Lucas.
Famoso pela diversidade de ritmos, o Rock in Rio exige que a turma da tradução jogue nas 11 e saiba interpretar todos os ritmos. A grosso modo, não há tanta diferença entre uma música de metal ou pop, eles garantiram.
— Como profissionais, precisamos conhecer e aprender os gêneros musicais e saber atuar em todos, mas é uma questão de gosto — disse Victor.
Profissional há 20 anos, Adriana Lopes está acostumada a todos os ritmos em Libras desde que nasceu. Ela é uma Coda, nome usado pela comunidade para designar os filhos de pessoas surdas (sigla em inglês para "Child of deaf adults") e traduz há 20 anos.
—Se me perguntar quando aprendi a língua de sinais, não vou saber responder. Sempre foi muito natural desde pequena — disse Adriana. — Fico muito honrada em poder garantir aos meus pais o mesmo direito que as outras pessoas têm de curtir um show.
Mais recente Próxima Coala Festival chega à 12ª edição com os olhos na formação de público para novos ‘headliners’ e na expansão internacional
- Rock in Rio


