A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master acendeu um alerta na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante da repercussão do embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, aliados do petista defendem uma estratégia para descolar a imagem de Lula da do ministro do Supremo.A preocupação aumentou após pesquisas apontarem crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Levantamento da Quaest divulgado nessa segunda-feira (14/9) mostrou o senador numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno: 42% contra 40%, dentro da margem de erro.O caso Master tornou a situação ainda mais delicada. Mendonça, relator das investigações, retirou o sigilo de documentos que incluem mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do banco. O episódio provocou uma crise interna no STF e ampliou os questionamentos sobre a relação do ministro com o empresário.Moraes pediu a investigação de Mendonça, enquanto decisões conflitantes envolvendo a Polícia Federal levaram o presidente do STF, Edson Fachin, a intervir no caso. A Corte marcou para esta terça-feira (15/9) de setembro uma sessão extraordinária para discutir os desdobramentos da crise.A estratégia petista não significa, contudo, um rompimento político com Moraes. O ministro teve papel central na reação institucional às tentativas de ruptura após as eleições de 2022 e se tornou um dos principais antagonistas do bolsonarismo.O problema, para a campanha, é que essa proximidade passou a ser explorada pela oposição justamente em um momento de desgaste da imagem do Supremo. Leia também Igor GadelhaAliados de Lula minimizam Quaest e dizem que pesquisa já está “velha” BrasilQuaest: Flávio tem 42% e aparece numericamente à frente de Lula, com 40% BrasilCelular de Vorcaro vira disputa no STF às vésperas de sessão sobre Moraes Igor GadelhaOnde estarão Lula e Flávio no dia em que o STF julgará Moraes DistanciamentoAliados de Lula defendem descolar a imagem de Alexandre de Moraes diante da crise no STF e do caso Master;Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em eventual segundo turno, segundo pesquisa Quaest divulgada em 14/9;Embate entre Moraes e André Mendonça se intensificou após a divulgação de documentos com mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro;Crise no STF ganhou dimensão eleitoral, com Flávio explorando Moraes e Lula buscando defender transparência sem assumir a defesa direta do ministro.3 imagensFechar modal.1 de 3Presidente disse que aconselhou Moraes a se declarar suspeito em caso MasterIgo Estrela/Metrópoles2 de 3Presidente Lula e Alexandre de Moraes (STF)Igo Estrela/Metrópoles3 de 3Lula e Alexandre de MoraesBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoLula busca distância eleitoralDiante da repercussão, Lula adotou um discurso de defesa da transparência e afirmou que o sigilo das investigações do Banco Master deveria ser quebrado. A estratégia permite ao presidente abordar o caso sem assumir uma defesa direta de Moraes.A avaliação na campanha é que essa postura pode ajudar a impedir que o caso seja apresentado como uma disputa entre Lula e o bolsonarismo. O objetivo é transformar a crise em uma questão institucional do Judiciário, e não em um problema diretamente associado ao governo.O movimento ocorre enquanto Flávio Bolsonaro transforma o ministro em um dos principais alvos de sua campanha. A tentativa do petista é evitar que a crise do STF seja apresentada como uma disputa entre Lula e o bolsonarismo.O desafio é impedir que a proximidade política entre Lula e Moraes seja explorada eleitoralmente pela oposição. Com a disputa presidencial mais apertada, cada novo capítulo do caso Master pode aumentar a pressão sobre o governo e influenciar a percepção do eleitor sobre os dois principais candidatos.












