A Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias, CACAU, acolheu, na sexta-feira, 18 de setembro, uma conferência dedicada às “Vozes, Vivências e Futuro das Mulheres”, uma iniciativa organizada pelo Ministério da Justiça e dos Direitos da Mulher, que reuniu mulheres de diferentes sectores da sociedade para reflectir sobre os desafios actuais, o papel da mulher e a sua participação na construção do futuro de São Tomé e Príncipe.

Realizada na véspera do Dia das Mulheres de São Tomé e Príncipe, celebrado a 19 de setembro, a iniciativa teve como propósito proporcionar um espaço de diálogo, convivência e partilha de experiências, com particular atenção para questões como saúde mental, saúde reprodutiva, autocuidado, participação social e política, formação e acesso das mulheres aos espaços de decisão.

“Nós estamos no meio de uma campanha eleitoral e sábado cada partido uma problema terá as suas atividades e as mulheres não terão grande envolvência“, disse a ministra da justiça, Vera Cravid quando referia que a circunstância que poderia dificultar a participação das mulheres, tendo em conta as diversas atividades político-partidárias previstas.

O encontro reuniu representantes da sociedade civil organizada, diferentes ministérios e direcções, mulheres reformadas, profissionais de várias áreas e outros participantes, incluindo homens, num espaço aberto à participação de todos os interessados.

Entre os assuntos debatidos esteve também a saúde mental e reprodutiva, apontada como uma das áreas que merecem maior atenção, tendo sido defendida a importância do envolvimento conjunto de mulheres e homens na superação dos obstáculos que afectam a vida das mulheres.

Liane Trovoada uma das participantes considerou positiva a diversidade de mulheres presentes na conferência e defendeu a realização mais frequente de iniciativas desta natureza, como forma de criar referências para as novas gerações e valorizar experiências de mulheres que têm contribuído para o desenvolvimento do país. “Foi muito necessário mesmo e deve ser mais feito mais vezes”.

“É preciso ouvir a mulher perceber da sua vivência e ver como é que serão as coisas daqui para o futuro, porque é preciso construir um futuro“, mencionou a ministra, Vera Cravid.

A reflexão estendeu-se ao papel da mulher na família e na sociedade, particularmente num contexto marcado pela emigração de muitos pais. Durante o debate, foi chamada atenção para as responsabilidades que frequentemente recaem sobre as mães na educação e acompanhamento dos filhos, bem como para os desafios decorrentes das transformações na estrutura familiar.

Eu acho muito bem, e que sempre haja actividade deste género e não esperar 11 meses para realizar essa conferência. Deve ser sistematicamente para ver porque ela morta a pedra dura, portanto, bate até que fura”, disse a Ester Will, quando considerava que uma mulher bem preparada e informada contribui igualmente para a formação de uma nova geração.

A iniciativa, apresentada também como uma edição de “chá”, deu continuidade a uma primeira experiência, combinando momentos de convívio com a discussão de temas relacionados com a condição feminina. As participantes tiveram ainda a oportunidade de degustar produtos nacionais e partilhar diferentes perspectivas sobre a realidade das mulheres no país.

E foi defendida a necessidade de as mulheres reservarem tempo para si próprias, cuidarem da sua saúde e reconhecerem que, apesar da força que demonstram no quotidiano, também enfrentam momentos de fragilidade.

“Nós temos uma geração inteira bem informada logo o tema tem a ver com tudo aquilo que nos rodeia, toda a actividade da mulher, todo o acto desenvolvido pela mulher“, concluiu a ministra da justiça.

O encontro ficou igualmente marcado por um momento de reconhecimento de mulheres que, segundo a organização, desempenharam ou desempenham funções de Estado, cargos de direção e atividades relevantes na sociedade civil.

Entre as homenageadas esteve a Doutora Edite Ten Jua, apresentada pela organização como uma personalidade que tem dedicado parte da sua actividade à causa das mulheres e das crianças. Foi também destacada Elsa Pinto pela sua passagem por funções políticas e empresariais, incluindo o exercício do cargo de Ministra da Justiça e dos Negócios Estrangeiros, além da sua intervenção no movimento associativo.

A cerimónia de reconhecimento contemplou igualmente outras mulheres, entre as quais a Doutora Ana Maria Vera Cruz, cujo trabalho na área da educação especial foi destacado, particularmente pelo seu contributo para a promoção da inclusão no sistema educativo.

Foram ainda reconhecidas mulheres ligadas à educação, ao empreendedorismo e a outras áreas de intervenção social, num gesto que, segundo os organizadores, pretendeu valorizar diferentes percursos femininos e o contributo de cada uma para a sociedade são-tomense.

Durante o momento de homenagem, foi também reconhecida a Ministra da Educação, pelo trabalho desenvolvido no setor e pelo seu envolvimento na área da educação e das crianças.

Ao receber o reconhecimento, Isabel Abreu agradeceu a homenagem e partilhou parte da sua experiência profissional, referindo que, no próprio dia do encontro, tinha estado em atividades relacionadas com o setor da educação, antes de se deslocar à CACAU.

As participantes foram incentivadas a continuar a fazer ouvir a sua voz, reivindicar o seu espaço e preparar-se para ocupar lugares de decisão, seja na política, na administração ou noutras áreas da sociedade.

A conferência “Vozes, Vivências e Futuro das Mulheres” terminou, assim, com o compromisso de continuar a criar espaços de diálogo, reflexão e valorização das mulheres, numa perspetiva de construção de um futuro com maior participação feminina na sociedade são-tomense.

Waley Quaresma

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