O governo federal está preocupado com o impacto de um possível El Niño forte sobre o abastecimento e os preços de arroz, milho, carne e trigo nos próximos meses. Diante do risco de perdas nas safras e de menor oferta de alimentos, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar já comprou milho e arroz e avalia novas aquisições para reforçar os estoques.A preocupação foi detalhada pela ministra Fernanda Machiaveli em entrevista exclusiva ao R7 Planalto. Segundo ela, os efeitos do fenômeno climático podem atingir de forma diferente as regiões do país, com atenção especial ao trigo e ao arroz no Sul e às proteínas no Nordeste.“Na região Sul, a preocupação é trigo e arroz. Na região Nordeste, especialmente pelo risco de uma eventual estiagem, estamos preocupados com riscos no preço das proteínas, porque impacta a safra do milho e, consequentemente, não tem alimento para o gado, e isso causa menor produção de leite, ovos e carne”, explicou.Para reduzir o risco de pressão sobre os preços das proteínas, o governo comprou 190 mil toneladas de milho para abastecer os estoques do Programa de Venda em Balcão. “Minimizamos o risco na região Nordeste de pressão no preço dos alimentos por falta de insumo para alimentação animal, garantindo o milho”, afirmou. “Outra preocupação é o arroz, mas também antecipamos: fizemos compra de arroz e pretendemos comprar mais. O preço do arroz, inclusive, já começou a subir e nem houve ainda nenhum impacto na semeadura, mas os produtores já estão estocando arroz, esperando o melhor momento para fazer as vendas. Trigo e arroz seguem como uma preocupação”, explicou. No caso das carnes, o ministério espera uma menor produção nos próximos meses. “Primeiro devido ao El Niño, mas também porque o agro está retendo as fêmeas para procriação, porque o preço do bezerro está valendo a pena. Mas, por outro lado, estamos vendendo menos para a China, por exemplo, e isso acaba garantindo uma oferta interna maior”, explicou. A ministra também falou sobre os preços dos alimentos, uma das principais queixas da população e tema explorado pela oposição nas críticas ao governo do presidente Lula.Fernanda, porém, afirma que é preciso considerar dois fatores para entender o cenário: o contexto internacional e, segundo ela, o enfraquecimento das políticas de apoio à agricultura familiar na gestão anterior.“Nesse momento, estamos vivendo a maior inflação em três anos no mundo. Quando a gente olha focado na inflação de alimentos, estamos na maior, segundo dados da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura]. Mas o Brasil está na contramão: enquanto o mundo inteiro está tendo pico no preço dos alimentos, por conta da guerra e do aumento do custo de fertilizantes e petróleo, impulsionados pelas taxas dos Estados Unidos, e por conta dos próprios eventos climáticos que têm impactado as safras, o Brasil está tendo deflação de alimentos pelo terceiro mês consecutivo”, apresentou. A ministra reforça que o Brasil passou dois anos com inflação abaixo do IPCA. “Os alimentos têm pressionado a inflação geral e, aqui no Brasil, a gente tem conseguido fazer essa reversão”, disse. “Conseguimos em 2023 ter uma inflação de alimentos abaixo da inflação geral; em 2024, por conta do evento que aconteceu lá no Rio Grande do Sul, ele impulsionou o preço do arroz. Em 2025, de novo, a gente está com uma inflação de alimentos bem abaixo da inflação geral, e em 2026 isso vai se consolidar de novo, porque a gente está tendo deflação”, explica.A ministra, no entanto, reconheceu que essa percepção é difícil de ser sentida pela população e que os preços atingem todo o eleitorado e afetam a percepção de “qualidade de vida”. “Ocorre que todo o aumento do preço dos alimentos acontece no governo Bolsonaro. Toda a política agrícola é enfraquecida brutalmente durante o governo dele, diminuindo a oferta. Deixa de existir um plano safra da agricultura familiar, que é quem produz os alimentos no mercado interno”, observa. Ela acrescenta ainda que, durante o período de 2019 a 2022, deixou de ter o “PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que é o importante impulsionador da produção, porque, ao ter a certeza de que o governo vai comprar uma parte da produção, o agricultor produz mais”. “Política de formação de estoques também acaba, que é um outro importante instrumento de regulação, para evitar volatilidade grande nos preços dos alimentos”, disse. Para ela, como o governo anterior adotou uma subvenção voltada para os preços dos grandes agricultores, em um momento em que as commodities estavam supervalorizadas no mundo, isso gerou um bem-estar para o produtor, mas um mal-estar para a população. “O desafio de quem coordena a política agrícola é você conseguir preço justo para quem produz, [e ao mesmo tempo] preço acessível para quem consome. Esse é o equilíbrio que precisa existir. Se o preço não for justo, o agricultor não planta na próxima safra, você tem redução de área plantada, redução de oferta e o preço aumenta. Você está sempre fazendo esse equilíbrio”, diz. Ela citou, por exemplo, o caso do café, que ano passado passou por uma quebra de safra que impactou o Brasil. “Agora o preço está voltando à normalidade”.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Arroz, carne, trigo e milho e o El Niño: ministra detalha ações para segurar preços
Arroz, carne, trigo e milho e o El Niño: ministra detalha ações para segurar preços · Imagem: Source: noticias.r7.com
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Ministra concedeu entrevista exclusiva ao R7 Planalto; Fernanda defendeu ações do governo Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - Arquivo
Ministra concedeu entrevista exclusiva ao R7 Planalto; Fernanda defendeu ações do governo Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - Arquivo · Imagem: Ministra concedeu entrevista exclusiva ao R7 Planalto; Fernanda defendeu ações do governo Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil - Arquivo
Arroz, carne, trigo e milho e o El Niño: ministra detalha ações para segurar preços
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