Eu brinco que maternidade parece um jogo de videogame: toda hora vão surgindo novos desafios e cada fase vai ficando mais difícil. No comecinho da primeira infância, nossos filhos interagem com crianças de outros familiares ou com amigos muito próximos da família. Tudo sob controle, até aí. No entanto, quando entram na escola, uma nova realidade se apresenta: a criança terá amiguinhos de pais que você não conhece e que, talvez, não tenham a menor afinidade com vocês, e os valores familiares sejam muito diferentes dos seus.Não é fácil, mas conviver com o diferente é muito importante. E essa lição serve para os filhos e para os pais.Precisamos ter em mente que temos um papel importante nas amizades dos filhos, mas existe uma diferença entre acompanhar, orientar e proteger e escolher as amizades pela criança.Lembre-se de que, na infância, o conceito de amizade ainda está sendo construído e aprendido. Crianças pequenas podem chamar alguém de “melhor amigo” hoje e, amanhã, brincar com outra criança. Também podem ter conflitos, excluir alguém de uma brincadeira, dizer “não sou mais seu amigo” e depois voltar a brincar normalmente como se nada tivesse acontecido. Nem todo conflito precisa da intervenção de um adulto.Apenas observe quem são os amigos, como as crianças brincam, como seu filho se sente depois desses encontros e se existe reciprocidade. Primeiro, entenda a dinâmica sem necessariamente interferir nela.A intervenção só é necessária quando existe sofrimento persistente, humilhação, agressividade, exclusão sistemática ou uma relação claramente desigual. Nesses casos, não se trata de “se meter na amizade”, mas de proteger a criança e ajudá-la a desenvolver recursos para lidar com esse tipo de situação.Às vezes, os pais percebem comportamentos que consideram inadequados em outras crianças e ficam tentados a dizer: “Você não pode mais brincar com fulano.” Mas, antes de tomar qualquer atitude, reflita: o desconforto é meu ou é do meu filho? Esses comportamentos são realmente graves?É diferente não gostar dos pais da outra criança, não se identificar com a família ou não gostar do jeito que eles educam o filho e perceber que aquela relação está fazendo mal para a criança.Não é sobre você.Quando não há um problema concreto de segurança ou bem-estar, proibir uma amizade pode ter efeitos inesperados. Por exemplo, a criança pode passar a esconder encontros, defender ainda mais o amigo ou entender que seus pais não confiam em sua capacidade de fazer escolhas.A melhor alternativa é sempre conversar sobre esses comportamentos. Crianças pequenas ainda não têm todas as ferramentas emocionais e sociais para resolver conflitos sozinhas; você precisa mediar esse entendimento fazendo as perguntas certas:Isso ajuda a criança a entender como construir relações, estabelecer limites, reparar situações e também reconhecer quando é hora de se afastar. Assim, você não precisa simplesmente determinar com quem a criança deve ou não brincar, mas oferece ferramentas para ela escolher quando você não estiver por perto.👉Siga o Tempinho Juntos no Instagram✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Amizades na infância: até onde os pais podem intervir nas relações dos filhos?
Amizades na infância: até onde os pais podem intervir nas relações dos filhos? · Imagem: Source: entretenimento.r7.com
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Nem todo conflito precisa da intervenção de um adulto; observe antes de agir Imagem gerada por Inteligência Artificial/ChatGPT
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