O embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, participou de uma cerimônia em Brasília em homenagem aos 70 anos da Revolução Húngara de 1956, movimento que levou milhares de pessoas às ruas de Budapeste em defesa da liberdade e da independência do país.A revolução começou em 23 de outubro daquele ano e durou cerca de dez dias, até ser reprimida violentamente. Além dos mortos e presos, aproximadamente 200 mil húngaros deixaram o país, buscando refúgio em outras nações.O Brasil recebeu parte desses refugiados. Estima-se que entre 3 mil e 4 mil húngaros tenham chegado ao país após a revolução. Muitos reconstruíram suas vidas em território brasileiro, formaram famílias e deixaram descendentes que ainda preservam a cultura, as tradições e a memória de seus antepassados.Durante o discurso, Halmai recordou a bandeira húngara com um buraco no centro, um dos símbolos mais conhecidos de 1956. Na época, manifestantes retiraram o brasão comunista da bandeira nacional, transformando-a em um símbolo da resistência.“O dia 23 de outubro não é apenas uma data dos húngaros; é a comemoração da solidariedade mundial, a data das lutas pela liberdade na Europa Central e o dia daqueles que rejeitam a opressão e a tirania”, afirmou.Para o embaixador, os acontecimentos daquele período tiveram consequências que ultrapassaram as fronteiras da Hungria e influenciaram a história política da Europa Central nas décadas seguintes.“1956 mostrou que uma revolução pode ser reprimida, mas, ainda assim, é capaz de mudar a história”, declarou.O diplomata também abordou a agenda bilateral com o Brasil. Ele citou o encontro entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países, realizado em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e manifestou a expectativa de que uma nova reunião seja realizada em território brasileiro.Na área militar, mencionou a visita oficial do comandante da Força Aérea Húngara ao Brasil e a possibilidade de uma visita de retorno, dando continuidade aos contatos entre as duas instituições.A programação musical contou com a participação da banda da Força Aérea Brasileira, responsável pela execução dos hinos nacionais, e com uma apresentação de piano de Kinga, esposa do embaixador Miklós Halmai. A cerimônia também incluiu obras dos compositores húngaros Béla Bartók e Zoltán Kodály.Ao agradecer aos músicos, Halmai mencionou a história de um professor brasileiro-húngaro que encontrou refúgio no Brasil após a revolução, exemplo da presença de imigrantes húngaros na vida cultural do país.Entre as homenagens previstas para marcar a data, o embaixador anunciou que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, será iluminado com as cores da bandeira húngara no dia 23 de outubro, das 19h às 21h.“Fico feliz pela Hungria ter tantos amigos no Brasil e tenho certeza de que nossas relações continuarão a se desenvolver de forma muito positiva no futuro”, disse Halmai aos convidados.Fique por dentro das principais notícias que movimentam a Diplomacia e Embaixadas. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp










